Andre Matos analisou a rivalidade tóxica no metal brasileiro: “Pisa na cabeça do outro para aparecer”

Depois que o Shaman se dissolveu em meados dos anos 2000, o cantor Andre Matos deu um passo decisivo em sua carreira, que foi se lançar como artista solo. Para evitar os dramas e brigas, bem como para deixar todas as engrenagens funcionando ao seu gosto, o vocalista tomou essa decisão.

Alguns anos atrás, em promoção ao seu segundo registro solo, Mentalize, Andre concedeu uma entrevista ao programa TV Rock Inside. No bate-papo ele foi questionado sobre as amizades que tinha na cena metal.

O artista aproveitou o ensejo para comparar como os músicos brasileiros e estrangeiros portam-se no mercado fonográfico. Sem apontar dedos para este ou aquele, Andre refletiu sobre o assunto.

“Lá fora tem uma coisa que eu acho que o brasileiro tem que aprender um pouquinho. Essa questão da rivalidade entre as bandas, eu não vou dizer que não exista lá fora, mas é um pouco diferente de países como o Brasil.

Não vou tirar o mérito de ninguém! Por ser um país em que as coisas são um pouco mais difíceis de acontecer – e não tem a estrutura que tem na Europa, onde você, mesmo com uma banda pequena consegue fazer uma turnê e tocar no clubes -, aqui é um pouco mais… O canibalismo é maior, vamos dizer assim”.

Ele seguiu com a sua análise: “E não é só no meio do metal, qualquer meio como blues, pop e música clássica. Existe muito canibalismo no meio musical brasileiro. Então, é o meu primeiro, pisa na cabeça do outro para aparecer, e isso é muito triste”.

“Lá fora eles privilegiam mais quem tem talento e todo mundo meio que tem as mesmas oportunidades de aparecer. Por isso, acho que a gente acaba desenvolvendo mais amizades com as bandas de fora e de forma mais fácil do que aqui dentro [do Brasil]”, concluiu Andre.

Deixe um comentário (mensagens ofensivas não serão aprovadas)