Ricardo Confessori sobre a cena metal brasileira: “Aqui sempre foi tudo cobrado; paga para tocar”

É uma vitória e tanto para qualquer artista vingar no mercado fonográfico nacional, contudo, para um músico que se envereda pelos caminhos do rock n’ roll, heavy metal, jazz, erudito ou blues, a coisa é mais difícil, pois o mercado doméstico nunca foi benevolente com estas facetas musicais.

E para quem já está na cena lutando com todas as forças por um lugar ao Sol, as dificuldades passam por encontrar espaços com a mínima infraestrutura para se apresentar, equipamentos caros, público não querendo prestigiar som novo e autoral e produtores cobrando fortunas para que possa abrir shows de nomes já estabilizados na indústria musical.

Em conversa com o pessoal do canal Lado A Podcast, o baterista Ricardo Confessori (ex-Angra, ex-Shaman) refletiu brevemente sobre os desafios existentes na cena metal brasileira.

“Aqui sempre careceu de ter um combo de bandas: uma maior com uma menor ou duas grandes com uma menor e sair junto na estrada como tem lá fora. Não tem isso no Brasil. É show de uma banda. Não se pensou em abrir esse mercado de banda de apoio para bandas maiores”.

Ricardo acrescentou: “Aqui sempre foi tudo cobrado. Paga para tocar. Paga tudo! Você não vale nada para o evento, você não agrega nada. Sempre foi esse feeling com banda menor, e é errado; é totalmente errado. Você tem que ver a banda, tipo, estou adicionando ao evento, estou trazendo público, estou trazendo interesse – unir forças seria a palavra”.

“Mesmo a banda sendo menor, não quer dizer que a maior engole. Sempre tem uns cinco por cento, dez por cento que aquela banda vai agregar, e ela tem que ser tratada com esse respeito de dez por cento”, completou o músico.

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