No final de 1999, o Angra se deparou com a primeira de muitas mudanças significativas em sua formação: o vocalista Andre Matos, o baterista Ricardo Confessori e o baixista Luis Mariutti resolveram seguir outro caminho por conta de conflitos com o setor gerencial da banda.
Como todo mundo sabe, o Angra continuou a carreira com a liderança dos guitarristas Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro e a ajuda dos novatos Edu Falaschi (vocal), Felipe Andreoli (baixo) e Aquiles Priester (bateria).
Do outro lado da cerca, os ex-integrantes da banda montaram o Shaman com o auxílio do guitarrista Hugo Mariutti, além disso, eles se lançaram ao mercado com um som único. Dessa forma, na mesma época, o Angra defendia a sua volta por cima com o álbum Rebirth e o calouro Shaman provava seu valor com o disco Ritual.
No começo dos anos 2000, o público que frequentava os shows das bandas podia ver a superioridade do Shaman em quesitos como performance e produção – vale tirar as próprias conclusões conferindo Angra – Rebirth World Tour – Live In São Paulo e Shaman – RituAlive.
Mas quem também percebe a superioridade do Shaman em relação ao Angra é Ricardo Confessori. Em bate-papo com o pessoal do canal Lado A Podcast, o baterista comparou as duas bandas e explicou o motivo de sua preferência.
“Você pega o Shaman, tudo o que o Shaman tocou ao vivo na época do Ritual, impecável. A gente estava tocando exatamente igual ao disco, inclusive com tecladista ao vivo. Não tinha nada de VS [arquivo de áudio que auxilia às bandas ao vivo].
Aí, você pegava o Angra, eles enfiaram um monte de nota no disco, você ia ver os caras tocando, eles mesmos não conseguiam tocar. Você pega essas gravações – hoje em dia não tem mais isso, tudo é filtrado na internet, só sai o que é bom -, são umas coisas horríveis. Eles não conseguiam tocar o que eles botaram de nota”.
Ricardo acrescentou: “Pela facilidade de tocar, a gente fazia um show melhor, porque a gente conseguia agitar, enlouquecer no meio do show. A gente não estava ali concentrado olhando que nem o Dream Theater. E isso para mim foi um ‘up’, um aprendizado. Isso é tocar e fazer shows”.
