“Quando vi artistas como Lobão e o Roger apoiando a direita, eu fiquei muito decepcionado”, afirma Tony Bellotto (Titãs)

Na última segunda-feira, 06, o guitarrista do Titãs, Tony Bellotto, participou do programa Roda Viva, que vai ao ar pela TV Cultura. No bate-papo, o músico lembrou fatos pitorescos de sua longa carreira no rock brasileiro e de sua caminhada como escritor.

Os temas espinhosos também fizeram parte da conversa, todavia, Antônio Carlos Liberalli Bellotto não se esquivou de responder por mais que fossem cabeludos.

Ao ser questionado pela apresentadora Roberta Martinelli sobre como ele vê os artistas que estavam presentes no processo de redemocratização do Brasil em meados dos anos 1980, mas que atualmente apoiam a direita política, Tony não escondeu a sua decepção.

“[Vejo] com bastante decepção! Um exemplo claro é o Roger do Ultraje [A Rigor]. A gente iniciou a carreira juntos, a gente fazia encontros, e eu lembro que a música Inútil foi usada na campanha das Diretas Já. Ulysses Guimarães chegou a citar Inútil como exemplo do povo reclamar que ‘nós não sabemos escolher presidente'”.

Tony continuou: “E quando vi artistas como Lobão e o Roger apoiando a direita, eu fiquei muito decepcionado. Porque, para mim, o rock tem muito a ver com a liberdade, com uma visão democrática da vida, com o respeito a direitos individuais.

As bandas que influenciaram e inspiraram os Titãs foram bandas como The Clash e The Who; bandas que colocavam a questão política e social também nas letras, e a gente sempre fez isso de uma maneira muito vigorosa”.

“Então, vejo com decepção sempre! Acho sempre que tem alguma coisa sendo mal entendida por eles”, acrescentou.

“Às vezes, algumas discussões acabam tomando uma dimensão muito grande. Mas se você parar para pensar, é inaceitável que a gente veja gente pedindo a volta da ditadura ou que cogitem dar anistia para esses golpistas. Estiveram muito próximos de dar um golpe de estado no Brasil. Acho isso um absurdo”, concluiu o guitarrista.

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