Depois do falecimento do cantor Chester Bennington em julho de 2017, o Linkin Park ficou de molho e sem nenhum sinal aparente de volta aos palcos. No entanto, tudo mudou em outubro de 2024, quando o grupo anunciou sua volta com o apoio da frontwoman Emily Armstrong.
A parceria entre a cantora e o grupo já rendeu um álbum de estúdio, From Zero, o qual saiu no dia 15 de novembro do citado ano pela Warner Records. Além disso, a trupe está em turnê ao redor do planeta, desde então.
Durante entrevista ao Broken Record Podcast, o vocalista Mike Shinoda refletiu sobre o retorno da banda. Segundo o artista, a morte de Chester Bennington seria uma péssima forma de encerrar a carreira do Linkin Park.
Ele também comentou que o fã de heavy metal tr00zão, aquele que reza para o Deus Metal antes de tomar seu achocolatado favorito, vai odiar o conjunto por conta de sua decisão de retornar aos palcos.
“Acho que uma das coisas que realmente nos impulsionou foi a ideia de não querer parar sem lutar. Essa seria uma péssima maneira da banda terminar ou parar de fazer música nova. Essa é uma história horrível. Ninguém quer ler esse livro.
O livro que eu quero ler é que os caras se recompuseram e se levantaram. É a coisa mais difícil de fazer, a mais intimidadora, a mais desafiadora e a que mais pode dar errado, honestamente. E para nós mesmos, para os nossos filhos, para os nossos fãs, fazer isso é correr enormes riscos”.
Mike acrescentou: “Nós vivemos e respiramos essa banda. Nós pensamos em todas essas coisas. O fã de metal misógino, boca aberta e barba por fazer, que adorou nossos dois primeiros discos e não ouviu mais a banda desde então, mas que acha que é fã do Linkin Park, vai odiar a banda e vai falar abertamente sobre isso.
Então, está tudo bem. Acho ótimo porque essa pessoa vai ser substituída por uma garota de 15 anos que nunca curtiu música alta antes, mas quer aprender a tocar guitarra agora. E eu adoro isso”.
Eis o bate-papo na íntegra aqui:
O Mike tem alguma razão ao supor que muitas “meninas de 15 anos” vão se interessar pelo Linkin Park por causa da Emily, mas atribuir só a um preconceito a rejeição contra ela me parece um tanto precipitado da parte dele. Se outros fatores como o afastamento de alguns ouvintes depois do Minutes to Midnight influenciaram a opinião dele quanto a esse tópico, talvez ele não tenha se dado conta que existe uma diferença entre ouvinte e fã. Para um ouvinte pode ser mais fácil assimilar uma mudança tão drástica como a chegada da Emily, mas para alguns fãs é como abrir o capô de uma Hilux e ver um motor de Gol quadrado no lugar do original.
Acredito que essa situação toda tenha sido mais uma questão de COMO a nova vocalista foi apresentada ao invés de QUEM era a cantora.
Isso porque, caso tivessem liberado mais músicas novas ANTES daquele show de introdução da nova vocalista, acredito que vários dos que reclamaram por aí teriam aceito melhor. Naquele show de anúncio do retorno, apresentaram a Emily e já a colocaram para cantar muitos dos hits musicais anteriores da banda, o que gerou previsível estranhamento da base de fãs que estava acostumada com a voz do Chester.
“The Emptiness Machine”, “Heavy Is the Crown”, “Over Each Other” e “Two Faced” mostraram todo o potencial que ela tem pra desenvolver e aperfeiçoar o estilo musical da banda. Ela (e a banda como um todo) merecia um debut mais bem pensado.
Também. Pensa no seguinte, se o Mike tivesse herdado uma fazenda com plantação de pinheiros e quisesse derrubar todos para plantar pistache, o solo estaria acidificado, e pistache precisa de um solo mais alcalinizado. Se ele tivesse segurando as pontas como único vocalista por algum tempo, e os outros membros antigos eventualmente fazendo backing vocals quando necessário a depender de como algumas das músicas antigas estavam estruturadas (tem aquelas como Breaking the Habit e Nobody’s Listening da época do Meteora, ou Given Up e Shadow of the Day já da época do Minutes to Midnight que daria certo o Mike cantar solo), seria como preparar o terreno para a chegada da Emily ser mais suave. Mas é claro que o Mike estando no olho do furacão dificilmente ele fosse conseguir pensar nessa hipótese. Seria até injusto comparar as circunstâncias do falecimento do Chester com o do Freddie Mercury, já que pelo menos o Freddie Mercury teve tempo para se despedir dos parceiros dele no Queen e até para eles já irem se preparando para quando ele viesse a faltar, enquanto no Linkin Park a morte do Chester numa circunstância muito mais abrupta deixou o Mike, o Rob, o Brad, o Phoenix e o Joe totalmente sem chão.