O compromisso de Kurt Cobain com a simplicidade abriu portas para que o Nirvana criasse sons com muito apelo comercial, do tipo de gruda na cabeça e lá fixa residência. Isso é algo bastante raro no mercado fonográfico.
Kurt não tocava mil notas por segundo na guitarra, tampouco sabia todas as escalas do modo grego, mas o cara tinha um tino apurado para emplacar boas melodias e riffs em seus discos – vide os hits Smells Like Teen Spirit, Come As You Are, Lithium e In Bloom.
E na mesma medida em que era afiado para criar grandes hits, Kurt era cortante nas críticas aos grupos e artistas que considerava ruins.
No começo dos anos 90, Cobain concedeu uma entrevista à revista Advocate e partiu para cima do Guns N’ Roses, que estava em alta no mercado fonográfico por conta dos álbuns Use Your Illusion I e II.
Ao ser questionado se gostava de alguma coisa da música do Guns, Kurt disparou: “Não consigo pensar em absolutamente nada. Não consigo nem perder meu tempo com essa banda, porque eles são obviamente patéticos e sem talento”.
“Eu costumava achar que tudo no mundo pop mainstream era uma porcaria, mas agora que algumas bandas underground assinaram com grandes gravadoras, considero o Guns N’ Roses uma ofensa ainda maior”, destacou o ícone do grunge.
“Preciso analisar melhor: eles são pessoas sem talento e compõem músicas horríveis, mas são a banda de rock mais popular do planeta atualmente. Não consigo acreditar”, concluiu em tom de decepção.
Apesar da ajuda da turma do deixa-disso, as tentativas de apaziguar a animosidade entre Kurt e o pessoal do Guns N’ Roses foram infrutíferas. Cobain faleceu em 05 de abril de 1994, aos 27 anos, odiando Axl Rose e companhia.