O Benediction, uma das bandas que estabeleceram a identidade do death metal britânico na virada dos anos 1980 para os 1990, retornará ao Brasil com Kam Lee, fundador do Massacre e personagem central na formação do death metal da Flórida (EUA).
São Paulo abrirá a tour em 31 de outubro, seguida por Belo Horizonte (1º/11), Rio de Janeiro (3/11), Porto Alegre (4/11) e Curitiba (5/11). O giro é dentro da turnê mundial do álbum Ravage of Empires.
Lee substitui Dave Ingram, afastado das apresentações por questões de saúde. A formação preparada para a América Latina junta músicos que participaram da consolidação do death metal nos Estados Unidos e na Inglaterra desde o fim dos anos 1980.
Antes do Massacre, Kam Lee tocou com Chuck Schuldiner e Rick Rozz no Mantas, banda que daria origem ao Death. Já em Birmingham, o Benediction surgiu em 1989, quando o metal extremo britânico ganhava projeção com Napalm Death, Carcass e Bolt Thrower.
O primeiro vocalista do Benediction foi Mark “Barney” Greenway, que deixou a banda para ingressar no Napalm Death. Dave Ingram assumiu o posto durante a gravação de Subconscious Terror, estreia lançada em 1990 pela Nuclear Blast.
No ano seguinte, o Massacre lançou From Beyond. Os dois discos registram respostas diferentes ao mesmo momento do metal extremo. O Benediction trabalhava riffs compactos, andamentos médios e elementos herdados do punk britânico. O Massacre seguia a sonoridade grave e sombria desenvolvida na Flórida, estado que se tornaria um dos centros mundiais do death metal.
Essa diferença também aparece na forma como cada banda construiu sua reputação. O grupo ganhou espaço com uma sequência de discos e turnês pela Europa, enquanto o Massacre se tornou referência principalmente pelo impacto de From Beyond e pela atuação anterior de seus integrantes na formação da cena da Flórida.
Após Subconscious Terror, a banda lançou The Grand Leveller (1991) e Transcend the Rubicon (1993), considerados trabalhos fundamentais do death metal britânico. Naquele período, a banda excursionou com Bolt Thrower, Nocturnus, Dismember e Massacra e ampliou sua presença fora do Reino Unido.
A discografia continuou ao longo das décadas seguintes, mesmo com mudanças na formação e longos intervalos entre alguns lançamentos. Ao contrário de parte das bandas surgidas na mesma época, o Benediction preservou a base de sua música: riffs pesados, vocais cavernosos, pouca ornamentação e alternância entre velocidade e cadência.
Kam Lee percorreu um caminho mais irregular com o Massacre, marcado por separações e retomadas. Sua voz, porém, permaneceu associada aos primeiros anos do death metal norte-americano e ao gutural grave que seria adotado por inúmeras bandas depois de “From Beyond”.
O encontro com o Benediction acontece quase quatro décadas após o início dessas duas carreiras. Lee cantará um repertório formado por diferentes fases da banda britânica, incluindo músicas de Ravage of Empires, nono álbum de estúdio, lançado em abril de 2025 pela Nuclear Blast.
Produzido por Scott Atkins, Ravage of Empires mantém o andamento pesado característico do Benediction e abre espaço para acelerações próximas ao thrash metal e ao d-beat. A Carrion Harvest, Engines of War e Crawling Over Corpses estão entre as faixas que sustentaram a recepção positiva do disco.
O álbum sucede Scriptures (2020), que encerrou um intervalo de 12 anos sem material inédito e marcou o retorno de Dave Ingram aos vocais. Os dois trabalhos recolocaram o Benediction em ciclos regulares de gravações e turnês, sem alterações bruscas na direção musical construída desde os anos 1990.