Para os cidadãos de bem que vão ao culto todos os domingos – ou todos os dias -, o saudoso Ozzy Osbourne ainda é um agente das trevas. Letras de sons como Black Sabbath, N.I.B., Suicide Solution, Mr. Crowley e Demon Alcohol, em parceria ao conteúdo de capas como Speak of the Devil, Black Sabbath, Bark at the Moon e No Rest for the Wicked, provocam um comichão sem igual nos supostos cordeiros de Deus.
Alguns desses religiosos, que não consagram nenhum compromisso com o que prega no púlpito, tampouco usam suas posições para mitigar o sofrimento alheio, adoram usar artistas como Ozzy como vilões da sociedade.
Nos anos 1980, o Arcebispo de Nova Iorque, o Cardeal John Joseph O’Connor, resolveu partir para cima do Madman por conta do conteúdo lírico de Suicide Solution. Na época, para tirar a história a limpo, a MTV foi ouvir o que Ozzy achava de todo o imbróglio.
“Eu não sei muito sobre o Cardeal O’Connor, então não gostaria de fazer comentários sobre o Cardeal O’Connor. Eu ouvi nos noticiários que eles estão pegando no meu pé, novamente, o que eu estou acostumado. Pelo menos uma vez por ano eles culpam Ozzy por alguma coisa”.
Ao ser questionado se mandou um telegrama ao religioso, o Madman respondeu: “Sim! Eu o questionei sobre ele falar de mim sem me conhecer e nunca ter falado comigo. Eles fazem as coisas por vontade própria”.
Ele continuou: “Um Cardial tem muito poder! É como um juiz dizendo que você é culpado. Isso não é justo! Acho que um homem em tal posição deve me conceder o direito de falar. Mas, de qualquer forma, tudo o que eu quero dizer é que ele não sabe do que está falando. Ele está totalmente errado.
Ele deveria se envolver em temas mais sérios como a questão dos desabrigados, que tem crescido muito nos Estados Unidos e Inglaterra. Não consigo ver o lado bom nisso no que ele está fazendo”.
A repórter aproveitou a oportunidade e perguntou ao Príncipe das Trevas se ele se considerava um anticristo.
“Não! De jeito nenhum! Eu não me envolvo em política, religião ou coisas do tipo. Não sou um satanista. Não reverencio o diabo. Uso meu tempo para me conjurar a sair da cama pela manhã, e não para o diabo.
Não gosto quando acham que estou tentando machucar as pessoas. Isso é uma coisa muito estúpida de pensar. Não é minha intenção. Não sou uma pessoa ruim – não, de verdade”, encerrou o cantor em tom sarcástico.
Como Ozzy já explicou mil vezes, Suicide Solution é uma crítica à vida desregrada que ele e seus pares tinham na estrada nos anos 70 e 80. De forma bem específica, o som surgiu como uma homenagem do Madman a Bon Scott (AC/DC) que bebeu até sucumbir, literalmente.
