A relação entre o guitarrista Andreas Kisser e os irmãos Cavalera – Max e Iggor – não é amistosa há muitas décadas. Farpas e críticas voam para os dois lados da cerca desde meados dos anos 1990 e salve-se quem puder. Portanto, se trata de uma rixa antiga, mas com capítulos novos, de tempos em tempos.
E tem episódio novo na trama que é digna dos melhores folhetins brasileiros. Batendo um papo com o pessoal do Galãs Feios, que tem um quadro no Metrópoles, Andreas pontuou as diferenças que conserva em relação ao clã Cavalera.
“A gente está em momentos completamente diferentes, somos pessoas que não têm nada a ver uma com a outra, e isso faz muita diferença – o foco, o que representa a música, do que é escrever uma letra, do que é trazer elementos novos, em todos os aspectos.
O que aconteceu em sua vida vinte anos atrás que você tem que levar para sempre? Tem coisas que não têm que levar para sempre. Aliás, nada, descarrega, vive o momento. Ficar repetindo uma coisa que não existe mais”.
O guitarrista acrescentou: “Eu sinto que o Sepultura passa uma coisa extra, porque o outro lado não para de falar, não para de tocar, não para de repetir, regravar disco. Meu Deus! O que isso tem a ver com o Sepultura? Nada! O Sepultura nunca foi isso de tentar se repetir, copiar a si próprio. Ouçam os nossos discos.
É aí que eu falo que as pessoas estão vivendo em um mundo paralelo, elas não ouvem. Elas estão ouvindo a opinião dos outros. Ficam presas na opinião dos outros e em história, porque qualquer um pode contar qualquer história”.