“A gente era uma espécie de patinho feio do rock”, afirma Tony Bellotto (Titãs)

Pouco tempo atrás o guitarrista do Titãs, Tony Bellotto, participou do programa Roda Viva, que vai ao ar pela TV Cultura. No bate-papo, o roqueiro refletiu sobre as influências da banda, bem como elas se assentam em seu som.

“Uma coisa que sempre contou muito ao nosso favor, a gente sempre ouviu muito MPB. Não só os artistas que faziam muito sucesso nos anos 70 e 80 como [Gilberto] Gil, Caetano [Veloso], Chico [Buarque], mas a MPB de raiz como Cartola e sambistas antigos. E, claro, escutando rock”.

Tony seguiu com sua reflexão: “Quando a gente começou a trabalhar mais as composições, a gente tinha um background, estudo e conhecimento das letras da MPB muito profundo. Nos primeiros discos a gente meio que deu tiro para tudo quanto é lado.

E tem uma coisa engraçada que a gente dizia: ‘Nos meios punks achavam a gente uma banda brega e nos meios bregas achavam a gente uma banda punk’. A gente era uma espécie de patinho feio do rock. A gente não se acertava em lugar nenhum”.

“Na hora de montar o repertório do Cabeça Dinossauro, a gente sentiu que tinha que deixar a nossa mensagem mais clara”, ressaltou. “Nesse sentido, a gente focou muito em fazer letras que fossem diretas; letras que abandonassem um pouco do lirismo da MPB, do qual a gente se nutriu, mas era a hora de quebrar com aquilo e fazer letras que qualquer pessoas pudesse entender o que estava sendo dito”.

“O Cabeça tem essa opção estética tanto musical quanto de temas e letras, que vem de uma experiência que a gente foi adquirindo nos dois discos anteriores [Titãs (1984) e Televisão (1985)]”, concluiu Bellotto.

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