Recentemente, o guitarrista do Titãs, Tony Bellotto, participou do programa Roda Viva, que vai ao ar pela TV Cultura. Na conversa, ele falou brevemente sobre o seu posicionamento político e os motivos para defendê-lo.
“Estou mais radicalmente de esquerda do que eu era no início. Porque todos nós dos Titãs, a nossa geração do rock, vivemos grande parte da infância e da adolescência na ditadura, e a ditadura é uma coisa horrível, terrível.
Sérgio Britto, meu querido amigo, o pai dele foi exilado. O Almino Afonso era ministro do Jango [João Goulart – presidente do Brasil entre 07 de setembro de 1961 e 02 de abril de 1964], e o Britto foi alfabetizado no Chile. Eles também tiveram que sair do Chile depois que [Salvador] Allende caiu”.
Tony seguiu com a sua reflexão: “Então, a ditadura é uma coisa horrível e a gente viveu isso. Sou filho de professores universitários. A gente ficava sabendo de histórias de professores que eram presos, que iam para o exílio. [Haviam] filmes que a gente não podia ver, discos que a gente não podia comprar porque eram proibidos.
Tem o caso de Bichos Escrotos, que no disco Cabeça Dinossauro é censurada para execução pública. Era uma palhaçada passar para o Departamento de Censura Federal. Então, sempre fomos contra a ditadura, a favor da democracia sempre”.
O guitarrista completou a sua análise assim: “Nos anos 90 tinha uma centro-esquerda, tinham matizes da esquerda e do socialismo. Hoje em dia a coisa caminhou muito para a extrema-direita, porque a direita democrática desapareceu. Toda direita está submissa ao bolsonarismo. E existe a esquerda democrática do PT e do Lula. É preciso votar na esquerda contra o golpismo”.