Foo Fighters: Clássicos, Luzes E Um Grande Espetáculo Em Porto Alegre

O dia 04 de março de 2018 marcou o início da temporada dos grandes shows de rock na capital gaúcha. O reencontro do Foo Fighters com Porto Alegre ainda trouxe o Queens of the Stone Age e o Ego Kill Talent.

Ego Kill Talent

Responsável pelas primeiras notas da noite, a banda brasileira que vem conseguindo espaço no exterior conta com músicos experientes como o baterista Jean Dolabella (ex-Sepultura) e Jonathan Corrêa (ex-Reação em Cadeia).

O nome do grupo vem da abreviação de Too Much Ego Will Kill Your Talent, e com experiências próprias o grupo busca desconstruir o ego no meio artístico, começando com identidade coletiva e todos os membros participando das composições em conjunto. A banda apresenta um hard rock com uma pitada de stoner de muito bom gosto. Os acordes baixos e os riffs pesados são ótimos ingredientes que se misturam a voz de Jonathan.

O grupo teve meia hora para mostrar canções como Just To Call You Mine, We All, Still Here e Last Ride. E saiu aplaudido! A forte chuva durante a apresentação do grupo poderia ser um ingrediente negativo, mas o grupo passou por isso e a plateia se manteve firme durante a apresentação.

Queens of the Stone Age

A história do QOTSA com o Brasil é longa: começou no longínquo ano de 2001, no Rock in Rio 3, no polêmico show com o então baixista, Nick Oliveri, peladão, com direito a passagem pelo Juizado de Menores após o ocorrido. Coincidentemente o mesmo Foo Fighters esteva naquela edição do festival.

Na capital gaúcha também não foi a primeira vez do grupo. Eles se apresentaram no Pepsi On Stage, em 2015, mas dessa vez um público muito maior os esperavam. Pontualmente às 19h, a intro Walk the Night Wish (The Skatt Brothers song) toca no PA’s e é o prelúdio para o que viria. O grupo entra em cena com My God Is the Sun. O bom trabalho de luzes no palco chama atenção de imediato. Burn the Witch vem na sequência com seus riffs pesados e que atingem os presentes em cheio.

Em tom irônico, Josh Home diz que “nós somos o Queens of the Stone Age e vamos dar a vocês uma noite para nunca ser lembrada”. In My Head é a próxima, dando sequência ao álbum Lullabies to Paralise. Divulgando seu mais recente trabalho, Feet Don’t Fail Me é a primeira da noite de Villains, e sem muitas palavras anunciam The Way You Used to Do.

Make It Wit Chu foi um dos destaques da noite e animou os presentes, a faixa de Era Vulgaris é bem recebida depois de uma sequência onde o público apenas observava o grupo sem maiores reações. Sem grandes interações seguiram com If I Had a Tail e Domesticated Animals. “Vocês estão tendo uma boa noite”? Pergunta Josh antes de tocar Little Sister e You Think I Ain’t Worth a Dollar, But I Feel Like a Millionaire.

O grupo é apresentado um a um antes de tocar a mais popular faixa do grupo. Ironicamente, a faixa intitulada No One Knows é a que todos conhecem e cantam junto. A música conta com Dave Grohl na bateria tanto na gravação de estúdio quanto no videoclipe, então, era de se sonhar com uma aparição do músico, mas ficou apenas na vontade. O baterista, Jon Theodore, fez bonito na faixa e no solo logo que terminou a canção.

O grupo, que se despediu com A Song for the Dead em pouco mais de uma hora de apresentação, fez um show morno que serviu de aquecimento e distração até a hora do grande nome da noite.

Foo Fighters

Falar sobre o Foo Fighters sem contextualizar e fazer a óbvia citação de Dave Grohl em sua passagem pelo Nirvana é tarefa difícil. O músico que saiu do fundo do palco de uma das principais bandas dos anos 90, pegou sua guitarra e montou uma das principais bandas de rock de todos os tempos voltou a Porto Alegre, e desta vez em um palco à altura do grupo para fazer a noite ser histórica.

A abertura é com Run, faixa do mais recente trabalho da banda, Concrete and Gold. O divertido clipe ajudou a popularizar rápido a canção que já causou grande efeito com o canto de todos. Sem respirar, os riffs de All My Life levam todos a delírio e Learn to Fly transformou o estádio Beira-Rio em uma pista com todos cantando e dançando junto.

Ainda sem conversar com os presentes vem outro clássico: The Pretender, outro petardo no bloco inicial. “Vocês sabem por que estamos aqui hoje? Para tocar rock n roll”, disse Dave. “Vocês gostam de rock n roll? Eu vou dar rock n roll para vocês a noite toda, vocês gostam disso”? Perguntou Grohl durante a música.

Dave pára, é ovacionado e apenas observa e admira a plateia. Em seguida, pede silêncio a todos e, sem falar nada, pede gritos com as mãos. Outra nova vem na sequência, The Sky is a Neighborhood.

Rope é a primeira de Wasting Light, um dos trabalhos mais bem sucedidos do grupo. Logo em seguida, a bateria de Taylor vai às alturas e o carismático músico mostra suas habilidades enquanto o resto do grupo faz uma pausa. Voltam ao palco para Sunday Rain, que em um domingo de muita, muita, chuva caiu muito bem. O próprio baterista assume os vocais, e nesse momento é impossível não fazer a conexão à carreira de Dave.

“Eu preciso ver as pessoas, liguem as luzes que preciso ver todos. Senhoras e senhores, como vocês estão? Estão bem? Eu acho que agora, enquanto vocês assistem a esse show, tem um monte de velhos amigos no palco tocando músicas para um estádio cheio de gente. Quantas pessoas viram o Foo Fighters antes”? Um bom número de fãs fez sinal positivo para Dave.

“Quantos de vocês nunca viram o Foo Fighters”? E o restante faz sinal para o músico. “Vinte e quatro anos de banda e vocês nunca nos viram antes? Vou dizer uma coisa: estou feliz que vocês esperaram, pois essa noite nós temos mais músicas do que da última vez e, sabe, nós podemos tocar por muito tempo se vocês quiserem”.

“Faremos o seguinte: vamos tocar até vocês dizerem que temos que parar, pode ser? Temos muitas coisas antigas para tocar hoje, vocês querem ouvir as velharias, né? Eu posso fazer isso, vocês querem ouvir coisas do primeiro e segundo álbum, certo? Mas tem um porém: se nós fizermos os dois primeiros, teremos que fazer o terceiro, quarto, quinto, sexto… Todos eles, certo? Mas aqui vai o que eu gosto: eu gosto quando vocês cantam juntos, vocês podem fazer isso? Vocês podem, realmente, fazer isso? Podem cantar alto? Quão alto? Ok, vamos fazer isso, essa é My Hero”.

Em uma versão calma e intimista, esse foi o momento mais emocionante da noite, o coro de mais de 30 mil vozes ecoava pelo estádio com Dave puxando todos a cantarem cada vez mais alto.

Dave se mostra impressionado com o público. “Sabe o que gosto em vocês? Vocês tem essas estrelas o tempo todo”, se referindo ao show de luzes que as lanternas dos celulares fizeram durante My Hero. “Eu gosto disso, me faz sentir especial, adorei isso, vamos cantar alto agora, ok”?

These Days é a escolhida a outro ponto alto do show. “É muito, muito, amor, vocês têm muito amor”, diz Dave visivelmente emocionado. “Eu não sei mais o que dizer”, e segue com o restante da faixa. Walk vem na sequência e mantém o clima no estádio com todos cantando junto.

Hora de voltar no tempo com Breakout, um dos primeiros grandes hits do grupo. Durante a execução, Dave pede que “desliguem as luzes, por favor, desliguem tudo. Eu gosto das estrelas (se referindo as lanternas), vocês sabem, né? Deixem-me ver. Mostrem para mim, me deixem ver todas, todo mundo, me mostre. Vocês gostam disso, balancem suas luzes, me mostre, eu quero ver. Balancem mais”! A impressionante iluminação do estádio apenas com as lanternas dos celulares é o gás para o grupo voltar a Breakout.

Grohl começa a apresentar os membros do Foo Fighters. “Senhoras e senhores que nunca viram o Foo Fighters antes, é uma honra apresentar pra vocês Chris Shiflett”. Na guitarra, com um solo simples, Dave pede algo mais arrojado se ele quer ser ovacionado, o guitarrista responde com notas velozes e riffs pesados, sendo aplaudido por todos.

“Essa turnê que fizemos no Brasil é o melhor público que já tivemos em toda nossa vida. É sério! Vocês são uma audiência incrivelmente louca, eu amo vocês e quero agradecer muito por esse show”, diz Dave. E com Chris no vocal, eles tocam Under My Wheels de Alice Cooper, pouco conhecida para o grande público.

É apresentado o baixista Nate Mendel e o tecladista Rami Jaffee, que começa a tocar Imagine, de John Lennon, o que poderia ser outro momento emocionante da noite se transforma no mais inusitado cover possível: Jump, do Van Halen, na melodia de Imagine. É a vez de Pat Smear, um dos mais celebrados da noite e que também tocou com o Nirvana, toca Blitzkrieg Bop, do Ramones, o clássico definitivo do punk rock.

Para completar: “Eu tenho mais um Foo fighter. Vocês querem ouvir sobre esse ele, certo? Senhoras e senhores, na bateria… Eu não preciso dizer o nome dele, né? Esse é Taylor Hawkins”.

Dave conversa, mais uma vez, e fala sobre o show, o último no Brasil: “Hoje é o último show no Brasil, certo? É o último mesmo! É muito triste, mas no primeiro show no Brasil dessa turnê eu disse que Taylor era o amor da minha vida e ele começou a cantar, e é algo que nunca tinha acontecido em vinte quatro anos de banda”. Com isso, Taylor começa a cantar Love Of My Life, do Queen, com toda plateia o acompanhando.

Grohl justifica que “Taylor faz um solo de bateria em cada música, então, ao invés de um solo aqui, acho que ele deveria cantar uma canção para vocês, o que acham? Venha Taylor, venha amor da minha vida”. Ele imita os gritos de Freddie Mercury enquanto Dave Grohl vai para a bateria.

“Nós sabemos o que é pressão, todas as noites temos isso, nos sentimos pressionados a soarem melhores”, diz Taylor. A linha de baixo anuncia mais uma citação ao Queen, agora a versão completa de Under Pressure, com uma ótima interpretação de Taylor nos vocais.

“Vocês querem mais uma música? Vocês querem uma melodia calma, uma balada? Algo doce, calmo e quente que os façam sentir bem? Vocês não querem isso”? Após a negativa de todos ele anuncia Monkey Wrench.

“Olhem essa lua, vocês enxergam ela? Essa é uma noite muito linda, durante o dia choveu, mas a noite está linda. Essa é Times Like These”, que logo deu lugar a Generator, e é uma para os fãs das antigas.

“Vocês não terminaram ainda, certo? Ok, eu disse que tocaria uma canção de amor, então eu vou tocar mais uma antiga, por favor, acendam as luzes que quero ver vocês. Eu vou cantar essa para vocês. Essa é Big Me”. É mais um momento marcante e intimista entre o músico e os presentes.

“Vocês querem mais uma? Vocês vão cantar”? Após a resposta, ele decide ver o que acontece e vem Best of You. “Vocês são maravilhosos, é a maneira perfeita de encerrar essa turnê. Obrigado por nos receber aqui novamente”, encerrando a primeira parte do show.

Durante a pausa antes do bis, uma câmera com visão noturna mostra o grupo no backstage e Grohl questionando se querem mais uma, duas ou três músicas.

De volta ao palco, ele fala sobre o novo trabalho e as backing vocals na turnê; brinca que o Foo Fighters tem mais pessoas no palco que o Slipknot. “Já que estamos todos aqui, vamos fazer uma nova música contando com essas três vozes, essa é Dirt Water”.

Depois de This is a call, Dave conversa a última vez com todos, pede as luzes acesas para ver o rosto de todos, agradece ao pessoal das cadeiras superior e inferior, e pessoal do fundo e pista. “Nós sempre voltamos, sabiam? Sempre”! Dave pergunta: “Se nós voltarmos, vocês também voltam”? Com a resposta positiva, ele avisa que “não preciso dizer adeus, não precisamos de adeus, vocês querem dizer adeus essa noite? Eu não! Eu não sou bom com essas coisas. Vamos apenas dizer isso… Everlong”, anunciando a última da noite e encerrando as quase três horas de show para uma noite histórica na cidade e no estádio que incluiu mais dois grandes nomes em seus aposentos.