Heavy metal no Brasil tem muitas regras e as bandas ainda são tratadas mal por serem brasileiras, segundo Jairo Guedz (The Troops Of Doom)

O guitarrista do The Troops Of Doom, Jairo Guedz, concedeu uma entrevista ao canal Balcão360 e fez um comparativo entre o mercado nacional de heavy metal com o gringo. No mesmo bate-papo, ele também contou que já enfrentou desafios só por ser um artista brasileiro abrindo shows de nomes internacionais.

“No Brasil, eu vejo muitas regras – é meio engessado. Talvez por isso a gente está até hoje lutando para que esse mercado tenha uma estrutura profissional, bacana. Quando digo isso, as pessoas falam que tem shows direto, mas não é essa estrutura que eu estou falando, não é a estrutura física só. Mas é a mentalidade mesmo! Infelizmente, a mentalidade desde o produtor até o cara que montou a banda não entra numa sinergia de profissionalismo”.

Jairo continuou: “Metal é um produto, e eu tenho que vender. Mas uma coisa que a gente aprende lá fora é que eles têm essa estrutura mental; eles têm essa consciência do heavy metal. Em alguns países mais e outros menos.

Na Alemanha tem muita consciência, na Escandinávia é impressionante. Heavy metal na Escandinávia é rádio FM, se deixar vira hino no país. Então, você encontra uma estrutura, você tem um tratamento adequado, você é tratado como um artista”.

“Aqui no Brasil já passei muito perrengue até por produtores me tratarem mal por ser banda de abertura”, lamentou. “Por que isso me transforma em algo pior do que o americano que está vindo tocar? E eu posso falar isso com propriedade porque abri o primeiro show internacional de heavy metal aqui em Belo Horizonte, que foi o Venom e Exciter. O Sepultura que abriu e a gente sofreu muito quando abriu esse show”.

“Até muitos anos depois disso – isso foi em 86 – até muito tempo depois, até os anos 2000, era isso: as bandas ainda são tratadas como algo menor por ser brasileiro, por ser daqui”, completou o guitarrista.

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