Blaze Bayley ganhou fama mundial por conta de sua parceria com o Iron Maiden, que foi entre os anos de 1994 e 1999. A união rendeu apenas dois álbuns de estúdio: The X Factor (1995) e Virtual XI (1998) – além da coletânea Best of the Beast, que saiu em 1996 e contou com o single inédito Virus.
O cantor ganhou demissão da banda britânica no ano de 1999 para que Bruce Dickinson pudesse fazer seu retorno triunfal ao posto que ocupou boa parte dos anos 80 e a primeira metade da década de 1990.
Agora, ao apresentador Barry Robinson, do canal Classic Album Review, o ex-baterista da banda, Nicko McBrain fez mea culpa quanto a forma que o Iron Maiden tratou Blaze Bayley.
“Para ser justo com o Blaze, não transpusemos as músicas. Deveríamos ter baixado meio tom ou um tom inteiro, porque tentar cantar naquela extensão vocal que o Bruce tinha, e o Blaze era totalmente diferente… O Bruce é soprano, quase, e o Blaze é barítono – havia uma diferença no timbre de cada uma das vozes. Acho que foi muito difícil para o Blaze lidar com isso”.
“A Virtual XI Tour foi realmente difícil para ele”, continuou Nicko. “Acho que deveríamos tê-lo ajudado, transpondo o tom das músicas para ele. Mas não fizemos isso, foi um período difícil. Foi como uma nuvem negra para mim, aquele período da minha vida. E sei que isso afetou o clima geral da banda.
E, obviamente, quando surgiu a ideia de Bruce voltar com Adrian [Smith – guitarra], foi aí que tivemos que dizer: ‘Ok, Blaze, temos o Bruce’. E o mais incrível sobre o Blaze não era só isso. Eu era como um mentor para ele. Eu o acolhi, sendo o ‘avô’ da banda! A gente passava muito tempo junto, e eu era o confidente dele”.
“No fim das contas, foi muito difícil me sentir um pouco decepcionado com as performances que ele estava apresentando. Quando tivemos a reunião com ele, toda a banda estava presente, e Rod [Smallwood, empresário do Maiden], e ele aceitou a situação numa boa.
E ele se virou e disse: ‘O Iron Maiden é bom demais para não continuar, e vocês vão continuar com os melhores’. E essa ainda é a atitude dele hoje. Embora ele estivesse um pouco triste. Ele estava triste por não ser mais o vocalista da banda. Mas ele foi muito, muito gentil. Muito gentil mesmo, e eu o admiro por isso”, completou.
