“Se eu conversar com um bolsonarista, não tem conversa, é muito difícil, e vice-versa”, analisa Andreas Kisser (Sepultura)

Nos últimos anos, a polarização política do Brasil tem sido a tônica das relações entre muitas pessoas, o que é algo lamentável. Muitos amigos e familiares cortaram relações por conta de motivações políticas. A coisa fica ainda mais triste porque não há nenhuma previsão de arrefecer o clima de guerra.

E é claro que esta polarização vem respingando na cena rock n’ roll, com vários artistas e bandas sofrendo boicotes dos diferentes espectros políticos. Além disso, com as eleições brasileiras deste ano a pleno vapor, os ânimos das pessoas estão ainda mais exaltados.

Mesmo correndo o risco de represálias, o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, abordou o tema política em recente conversa com o pessoal do Galãs Feios, via Metrópoles.

“Eu acho que não existe conversa política. A gente consegue conversar em nossa bolha. Se eu conversar com um bolsonarista, por exemplo, não tem conversa, é muito difícil, e vice-versa.  Ou se você conversar com alguém de uma igreja meio fundamentalista, que lê só um livro e não tem amplitude de possibilidade, de opinião, é muito difícil”.

O guitarrista seguiu com a sua análise ressaltando que o nosso país é laico, ou seja, há uma separação entre o Estado e a Igreja, e apontando a característica positiva e negativa de nossa nação.

“Essa é a grande dificuldade do Brasil. O Brasil sempre foi essa diversidade, país laico, laico, respeito às diferenças. O Brasil se fortalece quando ele respeita as diferenças. Ele se enfraquece quando ele quer controlar uma nação através de uma lei religiosa. Tudo isso que a gente está passando é muito perigoso”.

Kisser finalizou: “Não tem proposta nenhuma, é muito vazio. Isso não dá nem para chamar de oposição. Não tem oposição a uma ideia. Tem oposição a uma ideologia – a uma ideia de ideologia, de uma interpretação do que é o comunismo, do que é a Lei Rouanet. Como que você conversa com uma pessoa assim? Vira uma seita e não tem espaço para debater”.

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