Cantem, cariocas: Rock In Rio 2026 começa celebrando o rock dos anos 90 e apostando em novos nomes do estilo

A importância do Rock in Rio para o desenvolvimento da cena musical brasileira é algo incomensurável. Em termos de entretenimento e amadurecimento do mercado, existe o Brasil antes e após o festival, além disso, a festança colocou o nosso país no mapa das grandes bandas e artistas internacionais.

Mesmo assim, o evento, desde sua fundação, vem lidando com a dificuldade de parte do público em entender que o festival abraça variadas vertentes musicais. É um ledo engano acreditar que o Rock in Rio é fundamentalmente um evento voltado ao rock n’ roll e heavy metal.

Mas o rock, em suas quase infinitas variações, se faz presente no festival. Portanto, a edição 2026 da festa, que é a décima primeira no Brasil, tem a sua cota de distorção, riffs e solos de guitarra, cozinha arrasa-quarteirão e tudo mais que contempla a música pesada.

O Sol e o calor não atrapalharam a galera que encarou Di Ferreiro repassar sua carreira em cerca de uma hora de apresentação e recordar o emo dos anos 2000. O show ainda teve a participação especial de Danilo Cutrim, vocalista do Forfun, e covers de Come as You Are, do Nirvana, e de Aonde Quer Que Eu Vá, dos Paralamas do Sucesso.

Sem muita espera para não arrefecer o clima efervescente da festa, a Nova Twins chegou cobrindo a cota de novidade com seu mix de rock, rap e eletrônico. Sons como Antagonist, Cleópatra, Drip, Piranha, Monsters e Glory conquistaram atenção da galera e garantiram novos seguidores e fãs à banda.

No Palco Sunset, onde inusitados encontros musicais acontecem, o público cantou e dançou ao som da dobradinha Detonautas e Biquini (antes conhecido como Biquini Cavadão) – o primeiro veio representando o rock alternativo dos anos 2000 e o segundo a faceta oitentista do pop rock.

A união das bandas deu muito certo, pois congregou muitas pessoas que soltaram a voz em Zé Ninguém, Vento Ventania, Só por hoje e Quando o sol de for.

Depois de limitar sua atuação na cena musical por alguns anos, tocando em poucos eventos, o The Hives vem querendo retomar o tempo perdido com shows cada vez mais bombásticos. Pelle Almqvist não é um cantor com os dotes de um cantor de ópera, no entanto, o cara é um poço sem fim de energia e carisma, o que são peças fundamentais para se fazer um bom show de rock.

Em meio a falas como “cantem, cariocas”, “ótimo festival, ótima banda” e “faz barulho” em português bastante convincente, Pelle comandou a invasão sueca no Palco Mundo com o apoio de novos e antigos sons como Tick Tick Boom, Main Offender, Hate to Say I Told You So e The Hives Forever Forever The Hives.

Outro que manteve o clima da farra a mil graus foi o Rise Against com seu punk ligado nos 220v. Logo no início do concerto Tim McIlrath abriu o coração para o público, dizendo o quão feliz estava por estar tocando no Rock In Rio, pois era um sonho. Ele contou que ele e seus colegas ouviram muito o CD do Iron Maiden ao vivo no festival, com isso, sempre quiseram pisar no palco do evento carioca.

Savior, Prayer of the Refugee e Ready to Fall fizeram muitas rodas punks abrirem, o que aumentou o clima na pista. O show do Rise Against foi especial por conta da dificuldade que a banda passou! O seu equipamento não chegou ao nosso país, os caras tocaram com guitarras, bateria, baixo e todos os pormenores emprestados.

Apesar disso, o cantor pontuou que a banda não precisa de backing tracks, metrônomo ou outro aparato tecnológico para fazer seu show. E parece que a dificuldade deu ainda mais gana ao grupo, que entregou um show impecável.

O novato Hot Milk, que transita entre muitos gêneros musicais, no entanto, se sente mais confortável no pop rock e pop punk, deu o seu recado de que a nova safra da música pesada está bem representada. Faixas dos dois álbuns A Call to the Void (2023) e Corporation P.O.P (2025) se revezavam na concisa apresentação dos ingleses.

O Capital Inicial, que recebeu Dado Villa-Lobos para um encontro especialmente preparado para o festival, deixou claro que ainda tem muita estamina para tocar alguns dos clássicos do rock brasileiro como Veraneio Vascaína, Natasha, Será, Tempo Perdido, Que país é esse? e Primeiros Erros. Foi um espetáculo cheio de emoção que passou como um piscar de olhos.

O primeiro dia do Rock in Rio 2026 acabou com o Foo Fighters quebrando um jejum de sete anos longe do festival, o que fez tudo ainda mais especial. Dave Grohl, com seu habitual carisma e simplicidade, subiu ao palco com o jogo ganho, portanto, o seu trabalho era apenas conduzir a galera aos “infinitos” hits de sua carreira.

All My Life, The Pretender, Times Like These, My Hero, Learn to Fly, Monkey Wrench, Breakout, Best of You e Everlong causaram frenesi aos milhares de fãs que se acotovelaram para curtir cada riff, refrão e verso que vinha do frontman.

Foram duas horas de apresentação – menos do que o habitual quando se trata de Foo Fighters, visto que chegam a tocar três horas, mas por regras do festival, eles reduziram o repertório – que lavaram a alma de quem estava desejoso de ver o grupo no palco do maior festival do Brasil.

Mesmo com o cansaço de uma maratona como esta impõe, o público voltou para casa com a sensação de ter feito história ao lado da banda, pois foi um show impecável no palco e outro no pista, com a galera dando toda gota de energia para gritar tanto quanto Grohl.

O resultado final do primeiro dia de Rock in Rio 2026 foi mais do que positivo, com todo mundo – bandas e fãs – voltando para casa com a certeza de que a diversão foi a protagonista do dia.

Deixe um comentário (mensagens ofensivas não serão aprovadas)