Finalmente o Helloween lançou o seu tão aguardado novo disco, Giants And Monsters, que é o seu décimo sétimo registro de estúdio. O trabalho é o segundo com a atual formação, que consiste em Michael Kiske (vocal), Andi Deris (vocal), Kai Hansen (guitarra e vocal), Michael Weikath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Daniel Löble (bateria).
Se no full length anterior tivemos o peso da reunião e a dúvida de como seria o entrosamento do grupo, principalmente com Andi Deris e Michael Kiske, nesta nova obra o destaque logo recai na produção, que ficou sob os cuidados de Charlie Bauerfeind e Dennis Ward.
O som ficou impecável, limpo e dinâmico ao longo da audição. Além disso, em vários momentos, a sonoridade remetia aos anos 80, mas não como algo mofado e datado. Se trata apenas do DNA power metal melódico do conjunto firmando lugar aqui e acolá.
Outro ponto que fica bastante evidente em Giants And Monsters é a maior participação de Kai Hansen na criação do repertório.
Mas vamos aos petardos! Com 10 faixas, o disco abre com a porrada sonora Giants On The Run, estabelecendo a parceria Deris e Hansen. Mesmo com certo tempero à la Stratovarius, o metal puro malte da Alemanha dita as regras do primeiro ao último acorde. Vale mencionar o refrão que estabelece residência na cabeça do ouvinte já na primeira audição.
Savior Of The World exala os clássicos Keeper of the Seven Keys do começo ao fim. Linhas vocais altas de Kiske e teor lírico edificantes dão um charme especial ao som. Little is a little So Much é um hard rock na linha Pink Cream 69, ex-banda de Deris. Ela também não se intimida a mostrar as suas garras AOR, o que favorece a pluralidade sonora da obra.
We Can Be Gods vem mesclando o Helloween do velho e do novo testamento, isto é, tem fortes sotaques dos discos oitentistas, como os Keepers, entretanto, reforça o caldo com contornos mais pesados presentes em 7 Sinners, de 2010.
Os alemães sempre se destacaram nas criações baladas. Bem, aqui vai um breve lembrete aos esquecidos: Forever and One (Neverland), A Tale That Wasn’t Right, In the Middle of a Heartbeat e If I Could Fly. Então, é óbvio que Giants And Monsters tem o seu momento mais intimista, a qual vem nos versos e acordes de Into The Sun.
Deris e Kiske emocionam na interpretação da letra, que fala sobre a finitude da vida corporal, mas não sob um prisma desolador. Into The Sun nos lembra que somos eternos enquanto luzes oriundas da fonte criadora.
This Is Tokio quebra todo o clima do disco. A canção não é ruim, longe disso, no entanto, ficou deslocada nesse trabalho. Não teve aderência ao resto do repertório.
Ao contrário de Universe (Gravity For Hearts ), que se encaixa bem nos restante do track listing. Ela ainda se mostra capaz de levantar defunto ao longo de seus oito minutos de duração, ou seja, não perde o pique por um segundo sequer.
Under The Moonlight é o produto da receita Happy, Happy Halloween, portanto, tem o clima para cima, como Rise And Fall e Dr. Stein. Por fim, mas não menos, Majestic vem fechando o disco como em uma espécie de continuação de Skyfall, faixa do disco anterior.
Em pouco menos de uma hora de música, o Helloween cumpriu o que prometeu: um disco mais feliz do que o antecessor. Giants And Monsters, que tem todos os predicados para entrar na lista dos melhores álbuns do grupo, se revela notável em como o Helloween consegue fazer o seu power metal soar fresco e vibrante em pleno 2025.

Track listing de Giants & Monsters:
01. Giants On The Run
02. Savior Of The World
03. A Little Is A Little Too Much
04. We Can Be Gods
05. Into The Sun
06. This Is Tokyo
07. Universe (Gravity For Hearts)
08. Hand Of God
09. Under The Moonlight
10. Majestic
Nota : 9/10