“Tenho orgulho de ser uma mulher latina, brasileira e criada na periferia”, afirma Fernanda Lira (Crypta)

No ano de 1975 as Nações Unidas reconheceram o dia 08 de março como o Dia Internacional da Mulher. A simbologia em torno da data se dá pelas lutas que as mulheres travam diariamente para ter os mesmos direitos do que os homens.

Portanto, a data é um importante e necessário símbolo da luta histórica das mulheres por direitos, equidade e respeito.

E é claro que as nossas representantes do metal estão nesta luta por igualdade. A líder e frontwoman da Crypta, Fernanda Lira, por exemplo, que é uma voz bastante ativa em pautas minoritárias, sempre se mostrou firme nesta luta. Seja pelas redes sociais, apresentações ao vivo ou entrevistas, Lira é uma guerreira a favor dos direitos das mulheres.

Neste domingo, dia 08 de março, como não podia ser diferente, a artista teceu alguns comentários sobre a data em sua conta oficial no Instagram.

“Tenho orgulho de ser uma mulher latina, brasileira, criada na periferia, artista e de ter chegado onde cheguei. Mas, sem entrar em detalhes, eu, mulheres da minha família e algumas das minhas melhores amigas já passamos por alguns itens do mesmo roteiro de desumanização que atravessa a vida de tantas mulheres: relacionamentos abusivos, violência psicológica, abuso e assédio sexual, violência doméstica, abandono parental, entre outros.

No meio artístico, muitas vezes a violência vem em outras formas, às vezes mais sutis, mas igualmente corrosivas. Da fama de “mulher difícil” por me posicionar e ser firme no meu trabalho, a montagens pornográficas feitas com IA, calúnia, difamação e ataques virtuais por motivos pelos quais homens raramente seriam julgados.

O constante ter que se provar, gaslighting, mansplaining, o constrangimento de, às vezes, ser barrada do próprio camarim.

Entre macro e micro violências, uma coisa fica clara para mim: apesar de todo o orgulho que sinto de mim e das mulheres que me cercam, muitas de nós somos, antes de tudo, sobreviventes da misoginia. E, olhando para as estatísticas, tão duras e assustadoras, às vezes parece quase um milagre que tantas de nós tenham conseguido conquistar algo”.

Fernanda continuou: “Hoje celebramos por direitos conquistados. Mas ainda lutamos, todos os dias, pelo mais básico deles: o direito de existir. A verdade é simples: a gente só quer viver. Não existe quantidade de dicas de proteção que dê conta de uma cultura que ainda normaliza tantas formas de violência contra mulheres.

O enfrentamento precisa ir além da sobrevivência individual: passa por responsabilização, educação e por questionar narrativas que desumanizam mulheres e as reduzem a objetos, e urgentemente, criminalizar a misoginia e conteúdos redpill”.

“Ninguém nasce odiando mulheres. Isso se aprende, é construído e culturalmente permitido. Que o caminho seja menos ensinar mulheres a sobreviver e mais ensinar homens a lidar com rejeição, frustração e, principalmente, reconhecer a nossa humanidade. Às mulheres: resistam, existam, ocupem, incomodem e vivam por todas as que não conseguiram viver”, finalizou a artista.

Fernanda Lira completou a sua importante reflexão com fotos de mulheres que foram brutalmente mortas por homens.

Violência contra a mulher é um problema de todos nós enquanto sociedade! Precisamos nos unir, independente de gostos pessoais, crenças e orientação sexual, para extinguir esta triste realidade de violência.

Central de Atendimento à Mulher

Ligue 180, de segunda a segunda, 24 horas por dia. São passadas orientações sobre leis e direitos das mulheres, assim como informações sobre rede de atendimento. Além disso, por este canal é feito o registro e o encaminhamento de denúncias.

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