I Wanna Rock e I Wanna Dindim! Talvez sejam os dois maiores motivos para as bandas de rock saírem de seus esquifes e retomarem os trabalhos. Seja como for, o Twisted Sister vai celebrar os seus 50 anos com uma turnê mundial em 2026.
Twisted Sister voltará com três membros originais: Dee Snider (vocal), Jay Jay French (guitarra) e Eddie Ojeda (guitarra). O baixista Mark “The Animal” Mendoza não participará da celebração, com isso, Russell Pzütto, que excursionou com os projetos solo de Snider, substituirá Mendoza no baixo.
Joe Franco, que tocou brevemente com o grupo em meados da década de 1980, ficará na bateria, substituindo A.J. Pero, que faleceu em 2015 aos 55 anos.
Contudo, a hipocrisia dessa volta aos palcos reside nas posições contundentes de Snider sobre as bandas que anunciam a aposentadoria, mas que, pouco tempo depois de pendurar o chapéu, voltam aos palcos para turnês milionárias de reunião.
E vale rememorarmos algumas falas da estrela do rock! Cerca de dois anos atrás, em entrevista a The Rock City Music Company, Dee deu, pois, uma declaração sobre as bandas que não largam o osso e, cedo ou tarde, voltam do mundo dos mortos.
Na ocasião, ele disse: “Eu fiz cirurgia no meu ombro, joelho e pescoço. Dói para levantar o braço e até fazer o chifre do metal. Não quero sentir dor na frente de 70 mil pessoas. Então, eu prefiro sair fora com dignidade e deixar uma lembrança positiva para os fãs”.
“Não vou citar nomes, mas tem gente que se aposentou, fez camisetas de No More Tour – Ozzy – e voltou alguns anos depois. Isso é uma palhaçada! Não! Fiquem no palco para sempre e não façam três anos de turnê de despedida como o Scorpions”, completou o cantor.
Já em 2020, conversando a equipe do site Ultimate Guitar, o vocalista voltou a tocar no assunto e citar a suposta turnê final do Madman, no começo dos anos 1990.
“Quando você faz uma turnê de despedida, faz camisetas com os dizeres No More Tours, e volta aos palcos, isso é uma palhaçada. Quando você diz que vai se aposentar, as pessoas não te levam a sério. Isso é uma piada”.
Posto isto, é evidente a posição contundente de Dee contra as bandas e artistas que saíram de cena e voltaram tempos depois. Portanto, ele, ao aceitar as propostas dos produtores e players do mercado fonográfico, se desmoraliza diante do público.
Alguns fãs certamente vão considerar a volta do Twisted Sister algo legal e divertido. Porém, para pessoas que têm o mínimo de senso crítico, o negócio cheira muito mal e com contornos de uma pantomima deslavada.
E o senhor Dee Snider, que era excessivamente crítico, intransigente e ácido sobre aceitar as ofertas para turnês de reunião, é triste vê-lo normalizando e tratando a hipocrisia e o oportunismo como seus mantras de vida.
