Anthrax: Saiba Como Foi A Volta A Porto Alegre Para Mais Uma Noite De Metal

Um dos grandes nomes do thrash metal dos anos 80, o Anthrax retornou a Porto Alegre depois de cinco anos para mais um show dos membros do Big Four na capital. Em menos de um ano, a cidade recebeu 3 dos 4 supergrupos (Megadeth em 2016 e Slayer em 2017, ambos no Pepsi On Stage).

O Anthrax teve grande sucesso nos anos 80 lançando uma sequência de álbuns que figuram entre os melhores do estilo até hoje, porém, problemas internos e a troca do vocalista Joey Belladonna levaram a banda a quase se dissipar após o pouco sucesso comercial nos anos 90.

O grupo ressurgiu em 2003 com o excelente We’ve Come For You All, John Bush atingiu grande maturidade e o grupo voltou a ter sucesso e reconhecimento mundial, que resultou em um sensacional CD/DVD ao vivo intitulado Music Of Mass Destruction.

Foto: Caroline Flores

Com o sucesso, logo surgiu uma tour de reunião que trouxe Belladonna aos vocais novamente, com ele a turbulência voltou a ser pauta no Anthrax. John Bush deixou o grupo após a turnê, o vocalista original também se afastou pouco depois e o Anthrax se via em mais uma situação de decadência.

Joey Belladonna acabou voltando ao grupo para sua terceira passagem e, em 2010, o grupo foi convidado a ser parte do Big Four, a grande reunião com Metallica, Slayer e Megadeth. Depois de um show lotado no Bourbon Country em agosto de 2012, o grupo fez sua estreia no palco do Bar Opinião, a mais tradicional casa de shows de Porto Alegre, para divulgar seu mais recente trabalho, o elogiado For All Kings.

Foto: Caroline Flores

O show marcado para cedo acabou causando uma pequena correria para os fãs que precisaram sair de seus compromissos profissionais e programar o #sextou da semana regado a metal.

As 20h06 as luzes se apagam e começa The Number of the Beast, do Iron Maiden, intro do Anthrax nos shows atuais. A banda surge no palco alguns minutos depois com nada menos que Among the Living, clássico absoluto do thrash metal para delírio dos presentes. O volume do microfone demorou um pouco a ser ajustado, mas os fãs compensaram cantando com muita vontade. O pouco público presente no início certamente foi uma surpresa, mas logo a casa foi enchendo para alívio de todos. Scott Ian vai ao centro do palco e inicia as notas de Caught in Mosh e todos vão a loucura, rodas se formam e as vozes gritam alto o refrão. A trinca inicial se encerra com Got the Time, foi um início matador!

“O que estão fazendo aí em cima?”, pergunta Joey aso presentes no mezanino. “Vocês deveriam vir aqui para baixo, pois isso é um hospício”, se referindo a próxima, “essa é Madhouse”. Outro grande clássico que manteve o clima lá no alto com banda e plateia correspondendo.

Foto: Caroline Flores

“É muito bom ver vocês de novo, Porto Alegre”, diz Scott Ian que tem seu nome gritado por todos. “Esse é meu nome, obrigado por me lembrar disso” completa ele sorrindo. “Obrigado por apoiar o novo álbum For All Kings, por favor ajudem Belladonna nessa, ela é Breathing Lightning”, uma das boas faixas do novo álbum tem o público cantando junto os acordes iniciais e, timidamente, atendem o pedido de Scott, acompanhando o vocalista. Com seu ritmo cadenciado, ela foge das velozes composições de antigamente, mas soa muito bem e com a cara do Anthrax.

“Eu sei que vocês gostam de boa música e o Anthrax mantém elas. Obrigado a todos por estarem aqui, onde estão os meus amigos?”, pergunta Joey. Logo em seguida ele avisa: “Vamos voltar a 1985 com um álbum bem antigo, vocês lembram de Spreading the Disease, isso é um material bem antigo, certo? Vamos lá com Meduuuusa”.

Foto: Caroline Flores

Outro clássico na sequência, I Am the Law, sem necessidade de ser apresentada, os riffs de Scott são suficientes.

A instrumental March of the S.O.D. (Stormtroopers of Death) dá um descanso a Joey e agita os fãs, ela é o prenúncio de outra nova, agora é Blood Eagle Wings. A música mantém o mesmo caminho que o Anthrax tomou em For All Kings, com riffs pesados mas mais lentos, diferente dos velhos tempos. Outra antiga é Be All, End All, do álbum State of Euphoria, uma das mais bem recebidas, que tem todos os presentes cantando o coro inicial enquanto a banda vai tocando nota por nota. E encerram o show com Antisocial, cover do Trust que ficou famosa na versão do grupo.

Uma rápida pausa e voltam com outro grande clássico, “Cry for… “, pergunta Belladonna, “Indiaaaans” responde o Opinião inteiro. Indians é a responsável pelo encerramento em grande estilo.

Em pouco mais de uma hora, o Anthrax mostrou um show coeso, como é costume da banda, mas muito abaixo do espetáculo que havia sido em 2012. Foi uma apresentação acomodada do grupo que não assumiu riscos e fez o feijão com arroz esperado. Um set list curto, como tem sido em toda tour Sul-Americana, decepcionou um pouco. Os fãs fizeram sua parte e tentaram motivar a banda com seus braços pro ar, rodas e sempre cantando alto, mas acabou assim mesmo. O grupo se despediu dando palhetas, baquetas e demais presentes aos sortudos da vez que levaram uma bela recordação do grupo.

Foto: Caroline Flores
Foto: Caroline Flores

Setlist:
Among the Living
Caught in a Mosh
Got the Time(Joe Jackson cover)
Madhouse
Fight ‘Em ‘Til You Can’t
Breathing Lightning
Medusa
I Am the Law
March of the S.O.D. (Stormtroopers of Death cover)
Blood Eagle Wings
Be All, End All
Antisocial (Trust cover)

Encore:
Indians

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